quinta-feira, 23 de julho de 2009

Morrinhices

Num dia morrinhento que nem é verão nem é nada deixamo-nos pelo sofá, comemos quadrados de melancia de tédio, entretemo-nos com limpezas digitais e praticamos sentimentalismos no ciberespaço.
O meu pecado capital é infelizmente a preguiça.
Fui. Comprar um disco vagaroso.
(histórias tristes em que contudo não haja menção a braços quebrados à volta do seu amor)
A minha penitência pela música.

A autêntica estação

"É Verão. Vou pela estrada de sintra
por sinal pouco misteriosa à luz do dia
ao volante de um carro que não é um chevrolet
e nesse ponto apenas se perdeu a profecia
Não há luar nem sou um pálido poeta
que finja fingir a sua mais profunda emoção
Chove uma chuva que me molha os olhos
e me leva a sentir as saudades do inverno. Talvez lá faça sol
e eu sinta aflitivas saudades do verão:
uma estação na outra é a autêntica estação."

Ruy Belo

Está deste jeito o nosso Verão.
Para L.
intelectual,
a ver se voltas
de Chevrolet à terra ou então
à montanha ciberneticamente.

Abdicação

"Não tenhas nada nas mãos
Nem uma memória na alma,

Que quando te puserem
Nas mãos o óbolo último,

Ao abrirem-te as mãos
Nada te cairá.

(...)

Que serás quando fores
Na noite e ao fim da estrada?

Colhe as flores mas larga-as,
Das mãos mal as olhaste.

Senta-te ao sol. Abdica
E sê rei de ti próprio."

Ricardo Reis, Poesia

Delete. Reset. Abdica.
Colhemos os frutos e temos as mãos vazias.
E um dia olhamo-nos com olhares cheios de nada.

terça-feira, 21 de julho de 2009

On the road


Julho de 1978

domingo, 19 de julho de 2009

Vendaval em Lisboa

A máquina de café dá horas tardias a amigos confusos.
As nuvens passam pela clarabóia e dão luzes e sombras que se espiam dos lençóis.
Os passos apressados na calçada da Avenida à saída da matiné fogem do vento que levanta a saia.
- Quantos queres?
As nódoas de Super-pêssego no vestido estouvado lembram que nos fizemos na infância.
- Quantos queres?
Lisboa tem jogos de sombras no passeio que valem mais que as buzinas.
Mas não se ouvem as gaivotas.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Caos caseiro

Está provado.
Não sou fada do lar.
Desligo a máquina e
as minhas calças brancas,
pólos às riscas
e batas do ofício.
Mudaram de cor.
O meu vestido novo, de flores rosa.
Tudo tingido.
Azul celeste.
(Quando passar a irritação
Lembrar-me-ei de
teres dito que
desboto sobre os outros).
E seria isto uma metáfora.
Bastante caseira...

A par disso, o blog tem cores novas. Pinceladas de Verão.

Hora da refeição

Assumidamente declarada assim
Frutívora de Verão.
Abraçando a energia da época talvez
Homenívora tele-estival.

Predadores são presas fáceis?