terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

Comédias e provérbios II

A nova femme du ménage
(repetidamente)
faz os meus vidros reluzirem
ignorando
(com orgulho czarino
e astutos malares)
a pilha de roupa que se acumula
em frágil equilíbrio
por passar.

Eu, de patroinha petulante, disparava,
Em Roma, sê romana.
Mas enfim consinto, resignada...
Quem tem telhados de vidro,
não atira pedras.

Comédias e provérbios I

Num final de tarde, a cauteleira invisual é diligente empurrando o marido paralítico pela passadeira.
Assim se percebe.
O amor é cego.

E também aleijadinho?

sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

Contingências II

Ou o que se ganha na tradução.
Pelo feminino, masculino, o neutro
e demais declinações das língua eslavas.
À procura de J, indaga L:
- Sabe dá paradeira dela?

terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

A importância

"É importante foder (ou não foder)?
É evidente que não, não é importante.
Fode quem fode e não fode quem não quer.
Com isso ninguém tem nada
Mas mesmo nada
A ver.

O que um tanto me tolhe é não poder confiar
Numa coisa que estica e depois encolhe,
Uma coisa que é mole e se põe a endurar e
A dilatar a dilatar
Até não se poder nem deixar andar
Para depois se sumir
E dar vontade de rir e d´ir urinar."

Mário Cesariny

A importância
do surrealismo.

sábado, 23 de Janeiro de 2010

Certa conditio moriendi

"Os poetas todos fitaram a morte
e reuniram-se depois numa assembleia de riso
para esquecer quem eram
Mas era a morte a única saída"

Ruy Belo

terça-feira, 19 de Janeiro de 2010

Amor elefante

|na selva,
fôssemos bichos|

Seríamos paquidermes vivendo um amor desastrado, nédio e fiel.
E se morresses acarinhava as tuas ossadas com murcha tromba.

Contingências

F. confere adiamento ao convite para café.
K. é estrangeiro, não domina o português.
Dirá Esposo por ti.
Nervosamente, reage F. indelicada.
Ver-se assim já desposada,
ainda antes do primeiro encontro?